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Gustavo Almeida

ANÁLISE | Pela lógica de Fábio Novo, Visconde da Parnaíba era do mesmo grupo de Joel Rodrigues

Deputado encontrou uma forma de atenuar crítica sobre o fato de o PT se perpetuar no poder há mais de duas décadas no PI.

Fábio Novo, Visconde da Parnaíba e Joel Rodrigues (Montagem/DitoIsto)

A alternância de poder é uma das bases do regime democrático, ainda que esse mesmo regime, sob a luz do voto popular, proporcione que um mesmo grupo político tenha sucessivos mandatos. Isso, porém, não acontece sem uma carga de desgaste. Justificar a perpetuação de um grupo no poder é sempre uma tarefa ingrata para os que precisam fazê-la, independentemente de partido.

No Piauí, o grupo liderado pelo PT está no poder há 23 anos. São mais de duas décadas no Governo do Estado. O desgaste de ter que defender a perpetuação de poder – que antes era tão combatida justamente pelos petistas – é inevitável a cada eleição. Contudo, alguns líderes do PT sacaram do bolso uma ideia para tentar atenuar esse ponto negativo: eles resolveram pegar os 203 anos de independência do Piauí e dividir os governos em apenas dois tempos: o do PT e o de todos os demais.

Quem mais dissemina esse discurso é o deputado estadual e presidente do PT no Piauí Fábio Novo. Segundo ele, o partido governa o estado há 23 anos, mas os adversários do PT governaram durante os 180 anos anteriores. E não para por aí: sobre os muitos problemas que os governos petistas não solucionaram, Novo e alguns dos seus pares alegam que em 23 anos não houve tempo suficiente para resolver, já que o PT está fazendo o que os outros (que ele inclui como adversários) não fizeram em 180 anos no poder.

Pela lógica de Fábio Novo, o brigadeiro Manuel de Sousa Martins, natural de Oeiras e conhecido como Visconde da Parnaíba, era do mesmo grupo político do pré-candidato de oposição Joel Rodrigues e do senador Ciro Nogueira, ambos do Progressistas. O Visconde foi o grande protagonista do processo de independência do estado e governou a Província do Piauí por vários anos na primeira metade do século XIX, entre 1823 e 1843. 

A relação de governantes adversários do PT seria longa se fôssemos listar conforme o discurso de Fábio Novo. Nela estariam nomes como Conselheiro Saraiva e Zacarias de Góis, ainda no período provincial, e Gabriel Ferreira, Artur de Vasconcelos, Arlindo Nogueira, Miguel Rosa, Eurípedes de Aguiar, João Luís Ferreira e tantos outros, já na era republicana. Todos eram do mesmo grupo de Joel e Ciro, na concepção de Fábio Novo.

Se considerarmos a lógica do presidente do PT, de que 23 anos é pouco em comparação com o tempo de todos os antecessores, então o partido pode ficar mais 50 anos no governo que ainda não será suficiente. Se o PT ficar no poder até 2076, ainda estará longe de chegar sequer à metade do tempo de todos os demais.

Pode-se falar qualquer coisa do deputado estadual Fábio Novo, mas nunca duvidar da sua capacidade criativa.

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